sexta-feira, 30 de maio de 2008

Entrevista: Tadeu de Souza

Histórico
Tadeu de Souza é produtor cultural atuando nos segmentos de teatro e música. É filiado ao PT desde 1982.
Foi um dos fundadores do Centro Cultural da Favela Monte Azul, do movimento Arte Contra a Barbárie que resultou na lei de fomento de teatro para cidade de São Paulo, deu assessoria para o movimento Mobilização Dança para elaborar a lei de fomento a dança, foi assessor de cultura do Dep. Vicente Candido, é membro da Secretaria Estadual de Cultura do PT desde sua fundação e atualmente foi eleito secretário estadual de cultura do PT-SP.
Nessa entrevista ao site do deputado estadual, Vicente Cândido (SP), Souza fala um pouco sobre sua trajetória como militante do PT, política cultural no Brasil e sobre o Encontro Estadual de Cultura do PT/SP, realizado em abril desse ano.

Site Vicente Cândido: O que significou a plenária estadual de cultura para o PT?

Tadeu de Souza: Retomar um processo que foi estratégico na fundação e inicio do PT, onde as ações culturais eram freqüentes e faziam parte do nosso dia a dia.
Também um passo fundamental para oxigenar o partido, porque ao meu ver sem uma ação efetiva da Cultura o PT vai encontrar grandes dificuldades para desenvolver um processo de renovação e fortalecer o jeito Petista de governar na área da Cultura.


SVC: Qual foi o nível de mobilização que ela trouxe?

TS: Tivemos um grande numero de adesões, mas tivemos dificuldades de mobilizar um potencial bem maior por conta da falta de estrutura, mas comparando com as plenárias anteriores esta foi bem melhor, conseguimos mobilizar pessoas da Capital, Grande São Paulo, Baixada Santista e do Interior.

SVC: Como foi sua eleição?

TS: Uma eleição tranquila, bem organizada e a votação por aclamação.

SVC: Quais os avanços que a cultura tem obtido com o governo Lula

TS: O Ministério da Cultura na Historia no Brasil só começa a existir de fato no Governo Lula, se fizermos uma rápida retrospectiva na historia do Brasil depois da chamada colonização, vamos perceber que a cultura foi separada do ponto de vista antropológico. De um lado a cultura das classes dominantes que era a que prevalecia do outro a cultura Indígena, mestiça, afro que eram descriminadas e muitas vezes proibidas.
Isto só começa a mudar de forma tímida nos anos trinta Com Mário de Andrade a frente do departamento de Cultura da Cidade de São Paulo que lança um olhar para nossa cultura mestiça, depois com Gustavo Capanema, no Governo Vargas, criando varias superintendências de cultura, depois nos anos sessenta e, por incrível que pareça, o ministério da cultura só é criado no Governo Sarney de forma simbólica, porque não tinha estrutura, e nos anos noventa a política cultural foi entregue para lógica de mercado.
No nosso governo o estado assume a responsabilidade de gerir políticas culturais criando o Sistema Nacional de Cultura, a Secretaria de Diversidade Cultural, os Pontos de Cultura e ainda disponibilizando editais públicos para vários segmentos artísticos através da Funarte.


SVC: O que é política pública de cultura no Brasil

TS: Como já falei, uma política publica, mesmo que de forma tímida, só começa a existir em nosso governo, e temos muito a fazer, porque é preciso entender que a cultura é tão importante quanto a Saúde, Educação, Transporte e todos os segmentos da nossa sociedade. É preciso entender que temos de ter orçamento para esta área, porque na historia da humanidade nem uma nação se tornou digna sem que a cultura permeasse seu processo de mudança.

SVC: Quais os desafios do Partido?

TS: Entender que esta área é estratégica para seu fortalecimento, dar estrutura, transformar todos seus diretórios em pólos vivos de cultura, dar formação para que nossos gestores de cultura aprendam o jeito petista de governar nesta área que é criando as conferencias de cultura, implantando os conselhos municipais, criando fundos públicos para todos os segmentos artísticos. Este é nosso jeito, não o jeito Tucano que entrega para as OS o gerenciamento da cultura fugindo de suas responsabilidades.

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